TDAH

      A Associação Brasileira de Dislexia – ABD com o objetivo de contribuir com a evolução acadêmica, social e profissional de todos os indivíduos que têm Dislexia e/ou TDAH, exercerá, através deste posicionamento, a missão de caminhar na compreensão integral acerca das especificidades de cada um destes dois Transtornos do Neurodesenvolvimento.

      Entendemos que a generalização do termo “medicalização” para Dislexia e TDAH, faz com que estes dois transtornos sejam confundidos como similares e ainda que se destinem a cuidados exclusivos de profissionais da área médica, sendo que, para a Dislexia, por exemplo, não há tratamento medicamentoso. Ou seja, não será através de medicamentos que Disléxicos melhorarão o quadro que os levam a apresentarem dificuldades persistentes na aprendizagem.

       O TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é um transtorno do comportamento. E, quando diagnosticado por equipes multi e interdisciplinares especializadas, com a participação profissional da área médica, há indicações para tratamentos medicamentosos associados, em determinados casos, à psicoterapia.

        A problemática se faz presente, quando em casos de TDAH, há existência de comorbidades entre Transtornos Específicos de Aprendizagem (TEAp), como, por exemplo, a Dislexia do Desenvolvimento. Apesar de estarem englobados dentro dos Transtornos do Neurodesenvolvimento, TDAH e Dislexia são quadros distintos e, desta forma, devem ser tratados por diferentes profissionais dentro da necessidade de cada caso. Outra questão está relacionada à existência, ou não, das Dislexias. Nesta área, há mais de um século produções científicas nacionais e internacionais são realizadas e divulgadas constantemente à sociedade evidenciando, inclusive, alterações de funcionamento cerebrais em Ressonâncias Magnéticas Funcionais ou através da dissecação de cérebros post-mortem de indivíduos Disléxicos.

      Vivenciamos também a realidade maioritariamente precária da Educação brasileira junto com a ciência da complexidade cotidiana que professores enfrentam em salas de aula. Classes superlotadas, cada aluno com suas respectivas necessidades específicas de aprendizagem e a maioria das Instituições de Ensino despreparadas tecnicamente e profissionalmente para o atendimento destas necessidades da Inclusão. Estamos cientes também da carência de informações e formações para profissionais da Educação que simplesmente recebem estes alunos desprovidos de orientações acerca das melhores metodologias e estratégias para o ensino e avaliações destes alunos. Portanto, há sim necessidade de contribuirmos na formação dos professores do Brasil, visto que a eles não são dadas as devidas preparações e nem mesmo condições financeiras que os façam buscar por conta própria esta formação, inseridos no contexto que sequer lhes sobram tempo em função de duplas ou triplas jornadas de trabalho.

         No entanto, durante avaliações multi e interdisciplinares (diagnósticos), esta questão relacionada à realidade precária do ensino é observada e levada em consideração, diferentemente do que se alardeia entre os que contestam a existência destes Transtornos do Neurodesenvolvimento. Sendo assim, nenhum indivíduo que não foi exposto ao ensino regular pode receber o diagnóstico conclusivo de Dislexia do Desenvolvimento, por exemplo. Ainda neste sentido, consideramos como ensino regular escolas públicas ou privadas, tutorias, ou outro meio de ensino que utilize metodologias e constâncias aprovadas pelo MEC – Ministério da Educação. O indivíduo para ser diagnosticado com Dislexia do Desenvolvimento deverá ter sido exposto à aprendizagem por, pelo menos, dois anos e ter o Quociente Intelectual – QI na média ou acima da média, de acordo com as escalas de inteligência validadas pelo Conselho Federal de Psicologia – CFP. Não se pode notar privação sensorial ou outro quadro que por si só já explique a(s) dificuldade(s) do indivíduo para a aprendizagem, como, por exemplo, Deficiência Intelectual.

           Professores devidamente treinados podem e devem ocupar papéis de extrema importância no rastreio de alunos com dificuldades acima do esperado, ausentando-se das necessidades e responsabilidades de emitirem “diagnósticos”. No entanto, estarem preparados para a função de realizarem encaminhamentos de alunos com dificuldades de aprendizagem para equipes multi e interdisciplinares especializadas para que estas equipes realizem cuidadosas avaliações. Desta forma, familiares serão orientados por estes professores para que procurem estas avaliações e identificações adequadas do motivo para o atraso do aluno em sua progressão acadêmica. Sendo assim, os responsáveis por estes alunos receberão orientações adequadas e voltadas para a(s) dificuldade(s) identificada(s) neste(s) diagnóstico(s).

           Consideramos que o foco deve, portanto, sair da questão da existência das Dislexias, TDAH ou de quaisquer outros Transtornos do Neurodesenvolvimento. Em relação à medicalização sabemos também da ausência de informações especializadas na formação de profissionais da área médica sobre esta área específica de atuação profissional. Tal fato fez com que, ao longo dos anos e resultados positivos obtidos através de diversas pesquisas científicas, nacionais e internacionais, médicos também carentes de formações e informações adequadas acerca destas dificuldades e transtornos que impactam o desenvolvimento da aprendizagem, aumentaram significativamente, à beira da banalização, o aumento de receitas para o tratamento com o metilfenidato, por exemplo.

              Nós, Associações, Instituições e profissionais das áreas da Saúde e Educação, devemos caminhar no sentido de oferecermos mais oportunidades de formações e informações acerca destes Transtornos do Neurodesenvolvimento que contribuem para a realidade da população brasileira que, de acordo com a pesquisa realizada em Novembro de 2016 pela Avaliação Nacional de Alfabetização, nos mostraram que mais da metade dos estudantes do 3º ano do ensino fundamental apresentaram nível insuficiente de leitura e em matemática para a idade. 54,73% dos alunos tinham nível de leitura insuficiente e 45,27% apresentaram níveis suficientes. Geograficamente, as regiões Norte e Nordeste foram as que obtiveram os piores resultados de leitura, com 70,21% e 69,15% dos estudantes apresentando nível de insuficiência, respectivamente. Esses percentuais caem para 51,22% no Centro-Oeste; 44,92% no Sul; e 43,69% no Sudeste. Ou seja, devemos ainda ter o compromisso constante de auxiliar Instituições Privadas, Públicas, Órgãos Municipais, Estaduais e Federais que têm como função propiciar à população a Educação e Saúde oferecendo formações e informações com a finalidade de nivelar o conhecimento e procedimentos em toda a rede.

             Desta forma, teríamos professores preparados, com condições de ensino apropriadas, exercendo sua prática com seus educandos conforme as necessidades educacionais especiais de cada um destes alunos. Assim, trabalharíamos para indivíduos / cidadãos com melhores condições de progressão acadêmica e, consequentemente, melhores possiblidades de inserção no mercado de trabalho. Esta realidade traria, inclusive, a possiblidade de economia para o Estado, uma vez que indivíduos que não recebem atendimentos necessários e adequados em sua formação acadêmica apresentam grandes chances de buscarem atendimentos na área da Saúde, pois apresentarão maiores probabilidades de adoecimentos que poderão causar a incapacitação para um trabalho realizador e contributivo para a sociedade. E mais, sabemos através de diversas pesquisas e dados fornecidos publicamente que muitos destes casos não atendidos, vistos ou compreendidos, podem acabar sendo levados para a droga adição ou até mesmo para a criminalização.

               A proposta da Associação Brasileira de Dislexia – ABD é que as diferenças sejam deixadas de lado e que todos lutemos, juntos, por melhores condições de ensino, melhores escolas, por professores capacitados, bem remunerados e valorizados. Por melhores atendimentos na área da Saúde com profissionais igualmente capacitados e atentos. Para esta realidade se faz necessária à participação de todos nós como sociedade, profissionais da Saúde e Educação e, também, de nossos governantes.

add 5 comments on “Muito Além da “Medicalização”

  • Maria Inez Ocanã De Luca wrote:

    Este é o inicio. Vamos nos unir com o propósito de viabilizar a inserção a adêmica, social e laboral daqueles que sofrem com a falta de preparo de muitos.

  • Márcia Zakur Ayres wrote:

    Tenho acompanhado alguns alunos com diagnóstico fechado e sem apoio especializado da instituição escolar. Desconhecem as leis e as estratégias para promover a inclusão. Os alunos se sentem, muitas vezes, desmotivados e incapazes . 

    É de extrema importância difundir as informações, como neste post.

    Parabens, ABD!

  • Quero passar minha filha com um 

    1. Olá, José! Você busca uma avaliação? Por gentileza entre em contato pelos telefones: 

      (11) 3258-7568 / (11) 3129-9721 

      (11) 3231-3296 / (11) 3236-0809

  • Só queria dizer que medicalização não envolve necessariamente uso de medicamentos. Medicalizar é transformar em doença ou transtorno algo que é de natureza social. No caso em discussão, está em pauta a medicalização da educação.

    Acho que devemos lutar contra diagnósticos que, mesmo realizados por equipe interdisciplinar, desconsideram a multiplicidade de fatores que envolvem a (não) aprendizagem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

keyboard_arrow_up^
PageLines