| Os sentimentos do pais por Elaine Braga Costa(*) |
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A constatação de que uma criança possui uma dificuldade, seja ela leve ou severa, provoca nos pais uma grande ansiedade. No caso da dislexia, junto com o diagnóstico, vem também a certeza que essa criança sempre enfrentará dificuldades maiores do que as pessoas que não têm dislexia. Segundo Buscaglia (pg. 148 - 1983), os pais reagem de diversos modos, frente às dificuldades do filho: - Negação: “Não há nada de errado com meu filho” - Culpa: “O que eu fiz para causar isso?”. - Confusão: “Onde podemos buscar ajuda” - Dilema: “Faço o que fulano falou ou o que cicrano disse?”. - Raiva: “Por que não existem programas de recuperação para o meu filho?”. - Desespero: “Não tenho mais esperança” - Impotência: “Não sei mais o que fazer” - Projeção: “O meu filho não vai bem porque a professora é ineficiente” - Racionalização: “Ele está superagitado porque comeu muito” - Identificação: “ele é igualzinho a mim” (Dislexia, Cérebro, Cognição e Aprendizagem – pg. 80 – 2000). Não é raro os pais reagirem com descrença, mesmo suspeitando que seu filho apresente algum problema de aprendizagem, alguns tentam se convencer de que é simplesmente um atraso no desenvolvimento e que vai se corrigir com o tempo. A negação é primeira reação dos pais. Mas o simples fato de procurarem ajuda ou buscarem um diagnóstico, significa, em alguns casos, que eles sabem que há algo de errado e precisam buscar apoio. Depois, vem a culpa. A sensação de que poderiam ter percebido antes, ter procurado um diagnóstico mais cedo. Culpa por terem cobrado demais, exigido um desempenho maior, ou porque julgaram o comportamento do filho como preguiça ou falta de interesse pelos estudos. Os pais também se sentem muito confusos, perdidos, querem ajudar o filho, procurar uma escola melhor, o melhor profissional, o melhor método. Querem fazer, agir, mas não sabem como e nem por onde começar. Buscam opiniões, conselhos de profissionais e até de outros pais que passam pela mesma situação. Alguns acabam se desesperando, sentem-se derrotados e impotentes diante das dificuldades enfrentadas pelo filho. A depressão ou a tristeza podem aparecer em determinados momentos, embora em outros, os pais possam se sentir fortes e confiantes. Aceitar e entender o que está acontecendo com o filho é o primeiro passo da longa jornada que se inicia com o diagnóstico. É preciso que os pais também passem por um período de aprendizado e de adaptação. Antes da aceitação, porém, esses pais passam por todo o processo de luto, de perda do filho idealizado e eles devem ser acolhidos, ouvidos, acalentados. É exigido tanto desses pais que às vezes eles sentem vontade de desistir, de parar com todas as tentativas de buscar uma solução. É necessário um tempo para eles falarem, chorarem e também ouvirem. É a hora de cuidar do cuidador. Para o filho, ter os pais ao seu lado e enfrentando juntos as dificuldades, dá uma sensação de proteção e de apoio. É importante também ajudá-lo a entender que cada pessoa é diferente da outra, mesmo entre as que não possuem nenhuma dificuldade. Cada ser é único em sua individualidade, com suas qualidades, defeitos e limitações. Descobrir as qualidades e habilidades do filho e exaltá-las é um bom começo para essa nova jornada que deve ser trilhada com paciência, tolerância e muito amor! (*) Elaine Braga Costa é Arteterapeuta na ABD. |
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