Artigo da MDA (Índia) na revista “Perspectives” Vol. 34 Nº5 - Edição Especial, 2008
Presidente da MDA (Índia), organização que trata da dislexia na Índia.

Traduzido por José Carlos Ferreira de Souza(*)

A MDA é uma organização baseada em sócios pagantes em Mumbai, Índia que tem por objetivo, promover os direitos das pessoas com dificuldades de aprendizado a conseguir educação apropriada. Alem de advogar também em nível governamental a MDA provê serviços para estudantes afetados e suas famílias, consultoria pra instituições governamentais, cursos de breve duração para treinamento e “workshops”.

Entretanto, quando um variado grupo de pais se reuniu pela primeira vez no começo dos anos 90,tinham apenas uma coisa em mente: garantir que seus jovens disléxicos sobreviveriam em um sistema que era caracterizado por um “curriculum” rígido com ênfase na “decoreba” dos exames centrais e a necessária proficiência em três línguas: Inglês (a língua da instrução) Hindi (a língua nacional) e a língua local da região, que rotineiramente trata os incapazes com desdém e brutalidade. Lutando com a pressão dos pais e dos Educadores Construtivistas , O Departamento de Educação do Estado de Maharashtra (o Departamento) tornou-se o primeiro na Índia a fornecer facilidades para estudantes com dislexia, que se apresentavam para os exames finais.

Foi uma vitória de guerra com o Departamento fornecer concessões iguais (facilidades) aos estudantes com deficiência de audição e visão. As necessidades especiais dos estudantes com dificuldade de aprendizado eram difíceis de serem reconhecidas pelos membros do Departamento. Mais importante ainda era a pouca esperança desses estudantes de entrarem no curso secundário (10th grade), sem auxílio similar nos cursos elementares e 2º ciclo (ginasiais). Foi neste cenário que a MDA nasceu. Um grupo de pais e um diretor de escola como apoios, determinados a espalhar a percepção sobre esta dificuldade comum e trabalhar no sentido de uma política mais racional com relação às dificuldades de aprendizado (LD).

Nosso lema: “se eu não posso aprender da maneira como você me ensina, você pode me ensinar da maneira como eu aprendo?”, captou a atenção da mídia, que se tornou uma aliada útil na campanha para aumentar as provisões para tornar mais abrangente o interesse pelas LDs. Em um punhado de anos o Departamento promulgou várias normas estendendo as facilidades até o 1º ano escolar e daí para cima até os exames secundários (12th grades), recomendando que “tudo isso fosse tratado com delicadeza”.

A mudança da compaixão para o profissionalismo, tem sido essencialmente um salto de fé. Com poucos professores treinados nesse campo e, até menos recursos disponíveis, a MDA tem usado um método tripartite para atingir as mais imediatas e prementes necessidades: programas externos para as escolas, oferecendo treinamento para os professores contratados e consultoria, indicando Centros de Consulta em aprendizado; programas de treinamento para estimular um melhor entendimento das LDs entre psicopedagogos, psicólogos e outros clínicos, e dar a eles as ferramentas de que precisam; serviços diretos para os estudantes e suas famílias através de 3 Centros na Área Metropolitana de Mumbai. Para assegurar que esses serviços sejam accessíveis a todos os que dele precisarem, a MDA tem uma taxa flexível que é ligada ao ganho da família. Como resultado, os estudantes de escolas mantidas pelo governo, recebem a mesma alta qualidade de intervenção, um-a-um como os estudantes das escolas particulares de elite.

Estes Centros funcionam como modelos para intervenção, permitindo a nós testarmos a eficiência dos programas que recomendamos (v.g.multisensory Structured Approach to Teach Language), como no Sonday System ou Sons e Sílabas e o Curriculum de Estratégias de aprendizado da Universidade de Kansas) e modificadas de acordo com o uso de nossos estudantes. Estes programas têm permitido a muitos de nossos dedicados professores, “sentir” a necessidade de nossos estudantes, mesmo enquanto estão sendo treinados como especialistas em educação especial, através de um programa interno, nos permitindo superar a falta de pessoal treinado.

Nesses esforços a MDA tem sido feliz em ter um inúmeros mentores que, generosamente empregam seu tempo e experiência em guiar e definir as estratégias de boa prática nesse campo: Dr Lindsy Peer e Dr Gerald Hales da BDA (Associação Britânica de Dislexia); Dr. Louis Falik da Universidade Estadual de São Francisco;Dr, J.P. Das da Universidade de Alberta e a infatigável Arlene Sonday que apresentou a muitos professores da Índia, os princípios da “Multisensory Structured to Teach Language” Devemos a eles um débito de gratidão.

Num país como a Índia com sua vasta população, 26 línguas nacionais e regionais,um sistema educacional dominado pelas instituições de elite, ensinando em uma língua estrangeira (Inglês) uma abrupta divisão entre ricos e pobres, uma instituição confiável como a MDA, enfrenta alguns desafios únicos para se manter como referência. Enquanto nossos relatórios são aceitos internacionalmente nós ain da nos debatemos para treinar profissionais e “inventar” acesso efetivo e ferramentas de intervenção em linguagens regionais para a grande maioria da população. Uma vez mais estendendo os programas externos a escolas governamentais onde a má nutrição e o alto nível de desistência predominam, tem requerido da MDA, alto grau de sensibilidade e pragmatismo, na tentativa de se imaginar um modelo aceitável de intervenção.

Ser membro da IDA como GP, tem nos dado um sentimento de companheirismo com outras organizações que atuam no mesmo sentido e vemos com expectativa oportunidade de aprender com suas experiências.


(*)Traduzido por José Carlos Ferreira de Souza
Membro do Conselho Consultivo e Diretor de Relações Internacionais da ABD

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