| Carta resposta à matéria publicada no Psi - Jornal de Psicologia do CPRSP |
São Paulo, SP, 06 de Maio de 2008. Ref: Matéria publicada no Psi - Jornal de Psicologia do CPRSP – Edição 155 Ficamos muito surpresos com a publicação veiculada no periódico no. 155 - março-abril 2008 do PSI - Jornal de Psicologia do Conselho Regional de Psicologia São Paulo sobre a Dislexia. A segunda surpresa é o fato de desconhecer que os estudos genéticos estão avançando e desde 1983 vários locus cromossômicos estão correlacionados à Dislexia. Os cromossomos envolvidos são o 6, 1, 12,15 e com vários estudos replicados e confirmados (Smith e cols, 1983; Grigorenko e cols, 1997; Schulke-Korne e cols, 1997; Fischer e cols,1999 ). Rabin e cols,1993 sugeriram a existência de translocação no cromossomo 1, mas este achado não foi, ainda, replicado. A terceira surpresa é a referência de que um fator biológico não é suficiente para caracterizar uma doença. Se as alterações genéticas encontradas e publicadas não são suficientes para os editores do Jornal aceitarem o diagnóstico da Dislexia, podemos citar trabalhos nacionais e internacionais( Galaburda, Beaton, Geschwind, Bryden, Ciasca ) realizados por Ressonância Nuclear Magnética, pelo SPECT (cintilografia cerebral ) e mesmo estudos anatomopatológicos revelando alterações funcionais e anatômicas em diversas regiões do cérebro dos disléxicos ( áreas temporais, parietais, occipitais, e cerebelares ). Nas avaliações feitas pela ABD - Associação Brasileira de Dislexia, a prevalência está na mesma faixa dos índices mundiais, ou seja, 12%. A equipe da ABD tem feito o diagnóstico de Dislexia em 70%-75% dos casos lá avaliados; essa cifra, aparentemente elevada, está relacionada ao fato que as crianças são encaminhadas pelos orientadores educacionais, psicólogos, neuropediatras e psiquiatras com suposto diagnóstico de Dislexia..Os adultos avaliados na ABD, em geral, vem por conta própria, devido às dificuldades de longa data ou por se identificarem com as dificuldades semelhantes às dos filhos diagnosticados. A quarta surpresa refere-se a não validação do diagnóstico de exclusão. O diagnóstico de exclusão é perfeitamente pertinente em qualquer circunstância, mormente na Dislexia primária que é a geneticamente determinada tendo como condição sine qua non o nível de inteligência normal, oportunidades de aprendizado adequadas, sem déficits neurológicos.Nesses casos a avaliação multidisciplinar é necessária para se afastar outras doenças. A Dislexia secundária, encontrada em torno de 25-30% dos pacientes avaliados na ABD é conseqüente a lesão cerebral, portanto necessita abordagem diferente, pois cursa com defasagem do desenvolvimento intelectual, sensorial ou motor. O portador da Dislexia primária, quando bem orientado, terá todas as oportunidades para uma vida normal e com sucesso. O tratamento dispensado ao paciente disléxico necessita, por vezes, o uso de medicamentos, pois a comorbidade é freqüente, como o déficit de atenção, a hiperatividade, a enurese, a migrânea, a ansiedade, a depressão. Nessas circunstâncias não é possível se imaginar prescindir do tratamento medicamentoso, pois nenhuma terapia terá o sucesso esperado quando outras intercorrências associadas prejudicam o rendimento individual. Os medicamentos são necessários, muitas vezes por sua ação imediata para aliviar certos desconfortos. Talvez o uso abusivo dos medicamentos seja patente, mas devemos considerar que nem sempre é o médico especialista o responsável pela prescrição dos medicamentos psicoestimulantes. Por considerar a Dislexia como uma questão de saúde pública, a ABD tem se empenhado junto aos legisladores para que se criem condições adequadas para atendimento global em nível populacional aos portadores de Dislexia. As propostas são no sentido da capacitação dos professores e orientadores educacionais para assistir essas crianças adequadamente num sistema de inclusão em todas as escolas; além disso, os portadores de Disléxia atendidos nas suas necessidades terão minimizadas as suas dificuldades nas salas de aulas e na feitura das tarefas. Felizmente para o exame vestibular já existem condições especiais de assistência ao estudante disléxico e o mesmo deve ser providenciado para o ensino fundamental Abram Topczewski |