Dica para sua Leitura
Dislexia em Livro de Fantasia

Existe um livro onde a dislexia aparece, explicando a dificuldade de um personagem lembrar da palavra certa para se expressar e também em ler a tal palavra. O livro de fantasia chama-se “O Senhor da Foice”, de Terry Pratchett. Ele é um autor cultuado na Inglaterra e em vários países do mundo, tendo vendido mais de 40 milhões de exemplares de sua série Discworld, além de outros. Sua obra também foi traduzida para 33 idiomas.

Para situar o momento onde aparece o distúrbio de aprendizagem, é bom resumir do que se trata a história. O Morte foi forçado a aposentar-se, trazendo confusão ao mundo, onde as pessoas, animais, e qualquer ser vivo não morre. Já aceitando sua nova situação, Morte tira férias e acaba numa fazenda no interior do continente. Lá, sem se preocupar com seu antigo trabalho, acaba contratado para algumas funções em seu novo lar, tal como ceifar o gramado e as colheitas. Na fazenda existe um galo com sérias dificuldades para cantar, nunca lembrando quais as palavras que deve usar. Morte então resolve ajuda-lo escrevendo numa lousa o que ele exatamente deve cantar ao nascer do sol. No final das contas, não ajudou...

Abaixo, o trecho do livro onde cita a dislexia:

Mais um amanhecer. Cirilo, o galinho, agitou-se no poleiro.
As palavras escritas a giz brilhavam à luz tênue.
Ele se concentrou.
Respirou fundo.
- Rococicód!
Agora que o problema de memória fora resolvido, havia apenas a dislexia
”.

(PRATCHETT, Terry - Série Discworld - O Senhor da Foice - pág. 118 – Ed. Conrad)

O personagem não aparece muito dentro da história, servindo apenas para dar um pouco mais de ambientação ao local rural onde Morte passa a viver. Mas o interessante (e por que não importante?) é que a dislexia apareça dentro de um mundo fantástico como o do Discworld, dentro de um gênero de literatura onde talvez nunca se esperaria que aparecesse. Terry Pratchett é um escritor renomado na Inglaterra, e até mesmo no mundo, e demonstra como a dislexia está bem difundida em sua terra, já que o livro é do ano de 1991.

Por João C. Cartolano - Ago/07.
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